Trecho do livro "O Lobo da Estepe" de Hermann Hesse, publicado em 1927
"Havia nesse olhar um tanto mais de tristeza que de ironia; era na
verdade, um olhar profundo e desesperadamente triste, com o qual
traduzia um desespero calado, de certo modo irremediável e definitivo,
que já se transformara em hábito e forma. (...) O olhar do Lobo da
Estepe penetrava todo o nosso tempo, toda a afetação, toda a ambição,
toda a vaidade, todo o jogo superficial de uma espiritualidade fabricada
e frívola. Ah! lamentavelmente o olhar ia mais fundo ainda, ia além das
simples imperfeições e desesperanças de nosso tempo, de nossa
espiritualidade, de nossa cultura. Chegava ao coração de toda a
humanidade; expressava, um único segundo, toda a dúvida de um pensador,
talvez a de um conhecedor da dignidade e sobretudo do sentido da vida
humana. Esse olhar dizia: 'Veja os macacos que somos! Veja o que é o
homem!' E toda a celebridade, toda a inteligência, toda a conquista do
espírito, todo o afã para alcançar a sublimidade, a grandeza e o
duradouro do humano se esboroava de repente e não passava de frívolas
momices!"
Só para loucos... só para raros.
Hermann Hesse
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